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November 12

911: TPM!

TPM é um bichinho engraçadinho. Começa com uma dorzinha aqui, um incomodozinho ali, um pouquinho inchado… Aparentemente não é nada demais. Você assiste o primeiro episódio de Grey’s Anatomy da 6a temporada e choooooooora. Não te ocorre que pode ser a TPM. Aí, você quer porque quer comer chocolate – e acredite, UM não vai matar nem um milésimo da sua vontade. Você começa então a achar que você pode estar de TPM (claro que se você já souber facilita a compreensão, mas não atenua). Chegamos então à fase mais crítica desse mal/bem: a fase da sensibilidade. Você chora porque tá com calor, você chora porque seu pai tá assistindo o jogo de futebol e você queria assistir o primeiro episódio da temporada nova de Desperate Housewives, você não pode ouvir um “oi” diferente que já acha que tá tudo errado, você não pode NÃO ouvir um “oi” qualquer que já acha que fez tudo errado. Se uma pena cair no chão, é capaz de você chorar até que seus olhos sequem. Você tem vontade de esganar, arrancar dente por dente, puxar o cabelo, bater a cabeça na parede, bater ALGUÉM na parede, gritar gritar gritar gritar, rir histericamente, chorar chorar chorar chorar… É a fase do 80 (vezes 50, só se for). O pior dessa fase é que parece que o mundo se une contra você e tudo começa a ir pro lado negro da coisa toda, e você ainda por cima quer ter a ousadia de analisar, criticar, pensar profundamente e agir de forma racional. Bom, uma dica: a última coisa que você está é RACIONAL. E se estiver, é pra acabar com a raça de alguém! Enfim, esse não é um tema agradável nem engraçado nem sei lá, qualquer outra coisa um pouco mais inteligente, mas é que de hoje faltam 10 dias pra Fuvest. E parece que o ciclo de todo mundo resolveu entrar em órbita, sintonia, harmonia, telepatia, ligação espiritual, chame como quiser… Mas que todo mundo tá perdendo as estribeiras é FATO! Eu acho que junta tanta coisa de uma vez só que não dá nem tempo de dizer que VIROU uma bola de neve – o mais plausível é dizer que já chega como um avalanche. Acho difícil acontecer entre nós, amigas, uma briga muito grave nesses dias. Vestibular virou uma desculpa tão convincente… E pra ser bem sincera, chega desse assunto. Eu não quero pensar, não quero falar e só quero saber o dia que eu chegar e disser: PUTA QUE PARIU, EU ESTOU FAZENDO FUVEST !

“Vestibular é que nem sexo: não importa a posição, importa entrar.” – frase sábia de algum oráculo vestibulando.

-adeus, vou-me embora para Passárgada.

September 13

Subliminando as subliminares

Não é tão difícil perceber que falta. Me falta tempo, me falta inspiração, me falta um tema, me falta, nominalmente. Parece que só é possível escrever quando não se tem mais nada e não deveria ser assim; eu queria escrever quando tudo acontece e quando nada acontece, eu quero escrever até que as palavras se desgastem e não se definam mais… Não queria que fosse somente no ócio. Ou, então, somente quando a muralha da China do meu mundo parece desabar me deixando nua e crua com as palavras e nada mais. Ultimamente não tem dado tempo nem pra notar se me falta tempo. Às vezes não é nem de ter tanto o que fazer, é de ter tanto no que pensar. Este mês já é setembro e mais algumas semanas será outubro… Pra uns, são só meses do ano, proximidade do fim do ano, férias, diversão, folga… Pra mim e para mais todos os estudantes que este ano terão que prestar o vestibular, chegar outubro é como estar na última volta da Fórmula 1. Sem saber se o carro não vai morrer antes da linha de chegada, sem saber se você não vai sofrer um imprevisto no meio do caminho. É não saber o que fazer mais, não ter certeza se ainda dá tempo, se ainda É tempo, se… São tantos “se's” que o É fica esquecido num canto… Por mais que você tente se controlar existem coisas que nem sempre estão ao seu alcance… Se o motor falhar não é culpa sua; se a gasolina acabar antes do previsto, a culpa não é sua. E estar na última volta sempre me faz pensar, me faz me questionar: será que eu estou pronta? Acho que o maior problema (e a maior virtude, se é que você quer saber) do ser humano é nunca ter certeza do que é o MELHOR. Você afirma que fez o melhor, você confirma que é o melhor, você ESPERA que seja o melhor… Alguns de nós sabemos reconhecer nossos limites; mas quão confiável é esse reconhecimento? Pode ser fraqueza, pode ser cansaço, pode ser (…). Existem milhões de desculpas plausíveis e tão aceitáveis quanto ser mesmo o limite. Eu não sei mais reconhecer a linha tênue do meu limite e do meu descaso, não sei mais reconhecer que é hora de push harder nem a hora de aceitar que é isso… Também, talvez, por ser tão difícil aceitar que a minha linha de chegada esteja bem mais perto do que a do cara do lado… E isso não quer dizer que ele seja melhor nem que eu seja melhor. Mas é incontrolável, acho que chega até a ser um anestésico pra caso um imprevisto aconteça… Afinal, estamos todos sempre buscando almofadas confortáveis o suficiente para quedas sublimes. Mas e aí, vai haver uma queda e ainda por cima vai ser feia? (…)

 

- being a grow up is not half the fun of growin up.

August 23

Voz

Ontem, sábado 22 de agosto, fui até o MASP na manifestação FORA SARNEY. Confesso, inicialmente foi por conveniência e até meio por insistência, bem mais do que pela vontade de protestar. Aos poucos aquela sensação foi mudando, fui deixando de sentir o vento frio que batia no meu rosto e comecei a sentir o calor, o poder que tinha a minha voz. Conforme o som aumenta, a adrenalina que corre no sangue é como um dispositivo. Vozes, apitos, palmas, panelas e gentes. Tudo misturado em meio a tantas cores mas envolto no mesmo manto verde e amarelo… Não era uma multidão, mas tinha gente. Infelizmente, muitos não quiseram ir, muitos nem se quer sabem o que é que se passa. Claro, ninguém vai forçar e obrigar a saber, a entender e a ter uma opinião. Quem não sabe, paciência. Mas o que eu não entendo é por que ser conivente. Tem muita gente que sabe o que se passa, que sabe o que acontece e o máximo é quando fala “é tudo igual mesmo, não vai mudar” já jogando a toalha. Por que abaixar a cabeça e balançá-la e só? Por que não escrever textos, organizar manifestações, procurar mudar o que é seu por DIREITO? Esse Brasil lindo e imenso, cujos risonhos, lindos campos têm mais flores, é por decreto de todo e cada brasileiro. A geração que venho antes de nós protestou, bateu o pé e revogou até que algo fosse feito. Chico Buarque cantava seu samba sem censura, sem medo de dizer que aquilo estava errado. Os brasileiros cidadãos protestavam para ter o que era deles. Uma voz, uma representação, um grito, uma imagem, uma música, uma dança. Não é preciso muito, é preciso querer. Manifeste-se. Diga o que pensa, liberdade de expressão é uma voz que vem de dentro, que ninguém cala. É preciso um pouco de paciência, um pouco de disposição e muita perseverança. Una-se. Uma voz já é suficiente, mas se tiver mais, melhor… A manifestação é uma coisa tão bonita, tão colorida e vívida; tão barulhenta, mas um barulhenta que agrada a alma, acalma o coração e satisfaz a mente. É uma coisa justa, é uma coisa que pede justiça, igualdade, reinvindica uma mudança. É um momento aberto, momento de dizer que você não é só mais um na multidão. Voz é aquilo que você grita sem conseguir controlar, voz é o que vem de dentro pra mudar. Voz é o que eu tenho e é o que você tem. A VOZ É O CANAL.

August 14

Diasporando

Parece uma fuga. Uma fuga imaginária que é efêmera e sem rumo. Quanto mais ela corre, mais perto da realidade ela parece estar. Mas nem ela sabe dizer ao certo do que foge. É uma fuga dentro de si, é uma fuga para se calar – chega de ouvir suas verdades absolutas. Dentro dela tem um turbilhão de vozes, regras, sonhos, imagens, pessoas, sentimentos… Algo a deixa inquieta mas ela não sabe o quê. Seus olhos, suas mãos, boca e perna palpitam em busca de respostas.  Anseios e desejos de achar uma resposta, uma verdade que não seja absoluta. O que funciona com a maioria não funciona com ela e isso a deixa ainda mais em êxtase. Ela sente vontade de correr, correr tão rápido que se perderia. E é só correr. Pra sentir aquela mesma adrenalina, pra saber que ainda é vivo. Saber que o coração acelera, a respiração fica intensa e que seu corpo inteiro ainda a sente. E em cada terminação nervosa ela pode se achar, saber que não desistiu. Ela quer se provar, quer se mostrar forte. Quer brincar de loucura, mentir que não sente medo e dizer ao mundo qual é o seu mundo. Berrar que dentro dela tudo não passa de uma doce ilusão. Doce mentira, doce enganação de uma fuga bem sucedida. Não dá pra se calar e afirmar tão autoritariamente que está tudo bem. Ali dentro ela sente medo (e MUITO), sente dor, sente tanto que enlouquece… Uma mentirinha só não mata, não é? Mata… Mata todas as palavras entaladas em sua garganta, faz sua verdade ser dissolvida como areia. E no único momento que é seu, o seu único momento de verdade a garganta ainda dói. Tem muita vida que ficou presa ali e foi continuamente escondida pelo medo… E ela não sabe porquê, não sabe o quê, nem como, muito menos quando. Sente uma vontade tão avassaladora de gritar, chorar, rir, dançar e cantar conforme a música for. Se molhar se chover. Vestir a verdade sem controle sobre seus impulsos. Uma hora ela vai perceber que não adianta correr, ela vai parar. Vai descobrir respostas, soluções, ideias, verdades, mentiras, pessoas e pode até descobrir mais perguntas. Não vai ser preciso fugir mais mas, por enquanto,… ela vai continuar correndo, sem saber por que e sem saber até quando.

July 23

Lá pelos EUA

Passei duas semanas nos Estados Unidos e incrivelmente tive a mesma sensação todos os dias. Estive em Orlando, a terra de Walt Disney; a terra da magia, dos sonhos, das fantasias, dos contos de fadas. E é exatamente assim. Sem tirar nem por, é exatamente o que se espera. A Disney com seus parques cheios de Mickeys, Plutos, Patetas, Alices e mil e uma princesas; a Universal te faz sentir dentro dos filmes, participando de toda aquela ação e etc. O Sea World cheira a peixe, magia e coisas inacreditáveis. O Bush Gardens é o parque favorito da Eliana (quem assistia com certeza a viu ir no parque no mínimo umas 2 vezes) e é perfeitamente compreensível o porquê: nunca vi tanta coisa num lugar só. Tem animal, emoção, montanhas russas, brinquedos aquáticos, shows, sorvetes, lojas e parafernálias que não acabam mais! Mas essa não é a parte que me surpreende… Completamente me surpreendi pelo fato de que os filmes americanos são retratos fiéis da realidade. É como se fosse um livro de faz de conta que é realidade… Roupas, jeitos, comidas, hábitos; quase não se vê diversidade, exoticidade, originalidade. Em Orlando, então, é como se fosse espelhado! Nova Iorque se salva um pouco mais por ser um pouco menos turística e muito mais fashionista – fato que mais do que me agrada, me DELICIA. Por aqui é tudo tão urbano, tão movimentado e tão vívido… Me sinto em casa (e isso que a saudade de casa nestes últimos dias tá forte). Andar pela Times Square, pela Broadway e pela 5th Ave. é como andar pela Paulista. O clima é como o de São Paulo – se bem que aqui chove muito mais do que chove lá –, o ambiente todo é exatamente cidade grande… E tudo isso com o delicioso fato de ser uma cidade-ícone da moda. Não que eu goste de tendências nem de ser fashionista. Eu adoro o fato de usar qualquer coisa que eu goste, me vestir do modo que eu acho bonito, porque a moda não é dos estilistas. Ela é de quem as veste, é de quem as modifica, de quem as adapta… É nossa e é única, original como as havaianas. E, como as havaianas, a moda brasileira deveria ser ÚNICA. Infelizmente grande parte se baseia em NY, em Milão, em Paris, em Tokyo… Que, adivinhe só, são cidades JUST LIKE São Paulo. Falta ao Brasil dar a devida importância à sua beleza única e magnífica diversidade. O retrato de São Paulo não é uma única avenida. O retrato do Rio não é o Pão de Açúcar, o retrato da Bahia não é o Olodum. Cada lugar desse Brasil tem marcas mas nenhuma delas é única, não é uma regra geral. O Brasil é um país de tamanha riqueza que a ignorância acerca disso chega até a me assustar… Não falo das diversidades comuns, como a riqueza da paisagem nem do solo. Diversidades como a comida, que em lugar nenhum do mundo é tão gostosa como no Brasil! A diversidade de religiões, etnias, gostos, cores, tribos é a mais fascinante de todas. Não conheço lugar no mundo onde tantas diferenças convivam tão lado a lado, muitas vezes se misturando e gerando novas tribos, ainda mais miscigenadas. E se tem algo que só no Brasil pode se dizer é que aqui se tem as cidades que NUNCA dormem! Lojas 24 horas, deliverys, restaurantes, tudo que se pode imaginar. Além disso, a vida noturna de, em especial, São Paulo é unstoppable. Bares, baladas, restaurantes, barladas, TUDO, e até o dia raiar… O clima é relativamente gostoso, nem muito frio nem muito quente… Os EUA podem ser o paraíso das compras (e isso é irrefutável), mas o Brasil é incomparável… As belezas são tão infinitamente incomparáveis.. Falta ainda aquele tom de nacionalismo para o brasileiro (como um todo, sem hipocrisias e falso moralismo), o tom que ressaltará essas belezas tão corriqueiras e as exóticas que fazem do Brasil um país tropical e bonito POR NATUREZA =).

beijinhos nova-iorquinos!

 

gabriela

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